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12 de outubro de 2009

Leão, leão, leão


O Leão
Vinícius de Moraes


Leão! Leão! Leão!

Rugindo como um trovão

Deu um pulo, e era uma vez

Um cabritinho montês.


Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!


Tua goela é uma fornalha

Teu salto, uma labareda

Tua garra, uma navalha

Cortando a presa na queda.


Leão longe, leão perto

Nas areias do deserto.

Leão alto, sobranceiro

Junto do despenhadeiro.

Leão na caça diurna

Saindo a correr da furna.

Leão! Leão! Leão!

Foi Deus que te fez ou não?


O salto do tigre é rápido

Como o raio; mas não há

Tigre no mundo que escape

Do salto que o Leão dá.

Não conheço quem defronte

O feroz rinoceronte.

Pois bem, se ele vê o Leão

Foge como um furacão.


Leão se esgueirando, à espera

Da passagem de outra fera . . .

Vem o tigre; como um dardo

Cai-lhe em cima o leopardo

E enquanto brigam, tranqüilo

O leão fica olhando aquilo.

Quando se cansam, o Leão

Mata um com cada mão.


Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!

1 de abril de 2009

O Outono


O Outono
IV
Olavo Bilac
Coro das quatro estações:

Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs! Enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!

O outono:

Sou a sazão mais rica:
A árvore frutifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Criação.
Concede a Natureza
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De júbilo a choupana
De cada lavrador.

Vede como do galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fruto cai…
Interrompendo as danças,
Aproveitai, crianças!
Os frutos apanhai!

Coro das quatro estações:

Há tantos frutos nos ramos,
De tantas formas e cores!
Irmãs! Enquanto dançamos,
Saíram frutos das flores!


17 de fevereiro de 2009


O Banho do Beija-Flor

De manhãzinha,
com o jardineiro
e sua mangueira,
vem o beija-flor.
Baila nos galhos,
baila, oscila e voa
em volta da roseira.


Brilha a alegria
em seus olhinhos.
Ergue as asas,
abre o bico,
engolindo pingos
e respingos
na delícia da água.


O peito sobe e desce
no côncavo de uma folha
— sua banheirinha.


Até que o sol vem
formando arco-íris
em sua plumagem
e ele flutua, fulgura,
beijando a luz.

Cleonice Rainho



11 de fevereiro de 2009

O ninho


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Sei um ninho
e o ninho tem um ovo
e o ovo redondinho
tem lá dentro
um passarinho novo...
Mas escusam de me tentar
não o tiro nem o ensino
quero ser um bom menino
e guardar este segredo comigo
e ter depois um amigo
que faça o pino
...a voar!


MIGUEL TORGA

9 de fevereiro de 2009

Pássaro ser




Na minha alma em flor
Paira
um não sei quê de passarinho.
Bem-te-vi ou beija-flor?
Azulão ou sabiá?
Sei lá...
o meu coração de criança
Tem sempre uma voz que não se cansa
De dizer:— Bem-te-vi, bem-te-vi, te vi...
quando eu adentro matas, florestas, parques
Ou locais arborizados
Conheço-os pelos seus trinados
os avisto como que reconhecendo terreno
De irmão.
Neste meu coração
Pelos pássaros livres, apaixonado.
Santuza Abras

Santuza Abras é de Belo Horizonte, membro efetivo do Conselho Editorial da Revista "Educação em Foco", do Jornal "Pedagogia Informa", do qual é cronista, ambas publicações do Centro de Comunicação da FAE/CBH/UEMG. Santuza tem vários títulos publicados para crianças e jovens.

8 de fevereiro de 2009

Bailarina


Belle, a bailarina
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os ohos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

(Cecilia Meireles)

3 de fevereiro de 2009

"Chovem duas chuvas"

Chovem duas chuvas:
de água e de jasmins
por estes jardins
de flores e de nuvens.



Sobem dois perfumes
por estes jardins:
de terra e jasmins,
de flores e chuvas.



E os jasmins são chuvas
e as chuvas, jasmins,
por estes jardins
de perfume e nuvens



Cecilia Meireles

2 de fevereiro de 2009

As fadas - Antero de Quental



Recados para o Orkut

As fadas... eu creio n'ellas!
Umas são moças e bellas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, á beira do mar...


Algumas em fonte fria
Escondem-se, emquanto é dia,
Sáem só ao escurecer...
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder...


O vestir... são taes riquezas,
Que rainhas, nem princezas
Nenhuma assim se vestiu!
Porque as riquezas das fadas
São sabidas, celebradas
Por toda a gente que as viu...


Quando a noite é clara e amena
E a lua vae mais serena,
Qualquer as póde espreitar,
Fazendo roda, occupadas
Em dobar suas meadas
De ouro e de prata, ao luar.


O luar é os seus amores!
Sentadinhas entre as flóres
Horas se ficam sem fim,
Cantando suas cantigas,
Fiando suas estrigas,
Em roca de oiro e marfim.


Eu sei os nomes d'algumas:
Viviana ama as espumas
Das ondas nos areaes,
Vive junto ao mar, sósinha,
Mas costuma ser madrinha
Nos baptisados reaes.


Morgana é muito enganosa;
Ás vezes, moça e formosa,
E outras, velha, a rir, a rir...
Ora festiva, ora grave,
E vôa como uma ave,
Se a gente lhe quer bulir.


Que direi de Melusina?
De Titania, a pequenina,
Que dorme sobre um jasmim?
De cem outras, cuja gloria
Enche as paginas da historia
Dos reinos de el-rei Merlin?


Umas tem mando nos áres;
Outras, na terra, nos mares;
E todas trazem na mão
Aquella vara famosa,
A vara maravilhosa,
A varinha do condão.


O que ellas querem, n'um pronto,
Fez-se alli! parece um conto...
Mesmo de fadas... eu sei!
São condões que dão á gente,
Ou dinheiro reluzente
Ou joias, que nem um rei!


A mais pobre creancinha
Se quiz ser sua madrinha,
Uma fada... ai, que feliz!
São palacios, n'um momento...
Belleza, que é um portento...
Riqueza, que nem se diz...


Ou então, prendas, talento,
Sciencia, discernimento,
Graças, chiste, discrição...
Vê-se o pobre innocentinho
Feito um sabio, um adivinho,
Que aos mais sabios vae á mão!


Mas, com tudo isto, as fadas
São muito desconfiadas;
Quem as vê não hade rir.
Querem ellas que as respeitem,
E não gostam que as espreitem,
Nem se lhes hade mentir.


Quem as offende... Cautela!
A mais risonha, a mais bella,
Torna-se logo tão má,
Tão cruel, tão vingativa!
É inimiga aggressiva,
É serpente que alli está!


E têm vinganças terriveis!
Semeiam cousas horriveis,
Que nascem logo no chão...
Linguas de fogo que estalam!
Sapos com azas, que falam!
Um anão preto! um dragão!


Ou deitam sortes na gente...
O nariz faz-se serpente,
A dar pulos, a crescer...
É-se morcego ou veado...
E anda-se assim encantado,
Emquanto a fada quizer!


Por isso quem por estradas
Fôr, de noite, e vir as fadas
Nos altos mirando o céo,
Deve com geito falar-lhes
Muito cortez e tirar-lhes
Até ao chão o chapéo.


Porque a fortuna da gente
Está ás vezes sómente
N'uma palavra que diz;
Por uma palavra, engraça
Uma fada com quem passa,
E torna-o logo feliz.


Quantas vezes, já deitado,
Mas sem somno, inda acordado,
Me ponho a considerar
Que condão eu pediria,
Se uma fada, um bello dia,
Me quizesse a mim fadar...


O que seria? um thesouro?
Um reino? um vestido de ouro?
Ou um leito de marfim?
Ou um palacio encantado,
Com seu lago prateado
E com pavões no jardim?


Ou podia, se eu quizesse,
Pedir tambem que me désse
Um condão, para falar
A lingua dos passarinhos,
Que conversam nos seus ninhos...
Ou então, saber voar!


Oh, se esta noite, sonhando,
Alguma fada, engraçando
Commigo (podia ser!)
Me tocasse da varinha,
E fosse minha madrinha
Mesmo a dormir, sem a vêr...


E que ámanhã acordasse
E me achasse... eu sei? me achasse
Feito um principe, um emir!...
Até já, imaginando,
Se estão meus olhos fechando...
Deixa-me já, já dormir!

(Antero de Quental)

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13 de dezembro de 2008

Eu ia trabalhar



EU IA TRABALHAR...
Eu ia fazer meu trabalho, hoje cedo,
Mas um passarinho cantou no arvoredo,
E as borboletas no campo esvoaçavam,
E as verdes folhagens todas me acenavam
E a brisa soprava suave no prado,
Balançando a relva, prum lado e outro lado,
E o lindo arco-íris a mão me estendeu:
Como resistir-lhes? Sorri - e lá fui eu!

RICHARD LE GALLIENE

10 de dezembro de 2008

Segredos - Eloí Elisabet Bocheco


Rosalina tem segredos de várias cores.

O segredo verde
ela conta só no
ouvido do beija-flor.

O segredo lilás
ela prende no cabelo
e vai passear com a
Gata Lina numa caverna
quase de verdade.

O segredo transparente
ela põe pra tingir no
sol de setembro.

O segredo azul
ela conta só pra mim,
que não conto
pra ninguém.

Quem sabe,
no ano que vem...

25 de novembro de 2008

O Relógio

O relógio
http://www.eb1-s-teotonio.rcts.pt/relogio1.jpg


Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac . . .

(Vinicius de Moraes)

19 de novembro de 2008

PRIMAVERA


http://www.pspartetutoriais.kit.net/tutorial06psp09/passaros.jpg
Bem cedo, mal rompe o dia,
já estão gorjeando as aves
os seus pipilos suaves
em desusada alegria.

Vasto, o campo se descobre,
ondula, se estende e perde,
todo verde, todo verde
da nova relva que o cobre.

De toda banda invadidos
e cheios estão os ares
do perfume dos pomares
e dos jardins florescidos.

A ave eriça a pluma,
Varre os ares e os refresca
O sopro da brisa fresca
Que tudo beija e perfuma.

A natureza se esmera
Em galas e enfeites novos;
Ri o sol, brotam renovos…
É a risonha primavera

que bem cedo acorda os ninhos,
as flores perfuma, enfolha
as árvores, folha a folha,
onde cantam os passarinhos.

Francisca Júlia e Júlio César da Silva


18 de novembro de 2008

O patinho



Pintainho do pato
Galante, amarelo e novo,

Mal saiu da casca do ovo
Busca as águas do regato
Todo ele, tão lindo e louro,

Enquanto nas águas bóia,
Tem a graça de uma jóia

Feita em ouro.

Francisca Júlia


Paremia do Cavalo

.

Cavalo ruano corre todo o ano
Cavalo baio mais veloz que o raio

Cavalo branco veja lá se é manco

Cavalo pedrês compro dois por mês

Cavalo rosilho quero como filho

Cavalo alazão a minha paixão

Cavalo inteiro amanse primeiro

Cavalo de sela mas não pra donzela

Cavalo preto chave de soneto

Cavalo de tiro não rincho, suspiro

Cavalo de circo não corre uma vírgula

Cavalo de raça rolo de fumaça

Cavalo de pobre é vintém de cobre

Cavalo baiano eu dou pra fulano

Cavalo paulista não abaixa a crista

Cavalo mineiro dizem que é matreiro

Cavalo do sul chispa até no azul

Cavalo inglês fica pra outra vez.

Carlos Drummond de Andrade

O Pingüim

                                


Bom-dia, Pingüim

Onde vai assim

Com ar apressado?

Eu não sou malvado

Não fique assustado

Com medo de mim.

Eu só gostaria

De dar um tapinha

No seu chapéu de jaca

Ou bem de levinho

Puxar o rabinho

Da sua casaca.



Vinicius de Morais

17 de novembro de 2008

A Voz dos animais




 


Imagem pinceladadeideias

 
O peru, em meio à bulha
De outras aves em concerto,
Como faz, de leque aberto?
_ Grulha
.
— Como faz o pinto, em dia
De chuva, quando se interna
Debaixo da asa materna?
— Pia
.
— Enquanto alegre passeia
Girando em torno do ninho,
Como faz o passarinho?
— Gorjeia
.
(...)
— Quando a galinha deseja
Chamar os pintos que aninha,
Como é que faz a galinha?
— Cacareja.
.
— A rã, quando a noite baixa,
Que faz ela a toda hora
Dentre os limos em que mora?
— Coaxa
.
(...)
— Que faz o gato, que espia
Uma terrina de sopa
Que fumega sobre a copa?
— Mia
.
(...)
— Cheia a boca da babuge
Do milho bom que rumina,
Que faz o boi na campina?
— Muge
.
(...)
— A voz tremida do grilo
Que vive oculto na grama,
A trilar, como se chama?
— Trilo
.
Mas, escravos das paixões
Que os fazem bons ou ferozes,
Os homens têm suas vozes
Conforme as ocasiões
.
Francisca Júlia
.

11 de novembro de 2008

A arca de Noé



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Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.

O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.

E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.

Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"

E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.

E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.

Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora as cabeças botam.

Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.

A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.

Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.

Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pêlo
Pela terra prometida.

"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre – "Não!"

Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.

Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista.

Na serra o arco-íris se esvai...
E... desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.

10 de novembro de 2008

Cantiga da Babá -



Eu queria pentear o menino
como os anjinhos de caracóis.
Mas ele quer cortar o cabelo,
porque é pescador e precisa de anzóis.
Eu queria calçar o menino
com umas botinhas de cetim.
Mas ele diz que agora é sapinho
e mora nas águas do jardim.
Eu queria dar ao menino
umas asinhas de arame e algodão.
Mas ele diz que não pode ser anjo,
pois todos já sabem que ele é índio e leão.
.
(Este menino está sempre brincando,dizendo-me coisas assim.
Mas eu bem sei que ele é um anjo escondido,um anjo que troça de mim.)

Cecília Meireles

7 de novembro de 2008

HOJE É DIA DE CECILIA




"Nasci no Rio de Janeiro, três meses depois da morte do meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas ao mesmo tempo me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno. Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento da minha personalidade."
Cecília Meireles
*********************
O cavalinho branco

            
A tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:

mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.

O cavalo sacode a crina
loura e comprida

e nas verdes ervas atira
sua branca vida.

Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos

a alegria de sentir livres
seus movimentos.
Trabalhou todo o dia, tanto!
desde a madrugada!

Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!

4 de novembro de 2008

BOLHAS

Olha a bolha d'água
no
galho!

Olha o orvalho!

Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!

Olha a bolha na mão
que trabalha!

Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a
bolha!

Olha a bolha
que molha
a mão do menino:

A bolha da chuva da calha !

Cecília Meireles