Poesias,haicais, pensamentos, fotos; sobretudo é um esforço em homenagear Belle, minha primeira neta. Sempre gostei de escrever, mas nunca tive coragem para mostrar meus escritos. Belle me deu essa coragem. Afinal, as vovós tudo podem...
Quem bate à minha porta não me busca. Procura sempre aquele que não sou e, vulto imóvel atrás de qualquer muro, é meu sósia ou meu clone, em mim oculto.
Que saiba quem me busca e não me encontra: sou aquele que está além de mim, sombra que bebe o sol, angra e laguna unidos na quimera do horizonte.
Sempre andei me buscando e não me achei: E ao por-do-sol, enquanto espero a vinda da luz perdida de uma estrela morta,
sinto saudades do que nunca fui, do que deixei de ser, do que sonhei e se escondeu de mim atrás da porta.
Há dois meses comecei a tomar chá de hibiscus. Quando entrei na casa de chá e pedi um chá digestivo, eu nunca tinha ouvido falar de chá de hibiscus, e nem fui informada de suas propriedades Tomo uma xícara , ou duas , por dia, logo após o almôco ou jantar, como auxiliar na digestão, e tenho me sentido muito bem, mas o melhor é que emagreci dois kg, parece pouco, mas para quem não esperava ou pretendia esse efeito, foi uma grata surpresa. Junto ao hibisco associo um pauzinho de canela e um anis estrelado. Fica delicioso além da cor super convidativa.
Mas, cuidado, não vá colhendo as flores do hibisco tropical, aquele que decora nossos jardins e praças publicas, pode ser muito perigoso, há especies venenosas, o hibiscus para o chá é de uma especie apropriada, e só são usadas os calices da flor.
Quando criança morava em uma pequena cidade do interior Pernambucano, meus avós criavam patos num pequeno quintal, na verdade os patos passavam o dia a nadar no açude da Penha que ficava a uns 500m da nossa casa (Sim, é o açude mencionado por Graciliano Ramos em seu livro Angustia, Graciliano afirma que lá não tinha patos, só sapos; no meu tempo tinha patos e não tinha sapos). Logo de manhã davamos milho para os barulhentos e abriamos o portão, eles saiam em fila indiana, atravessavam a rua e tchibum no açude... final da tarde, como que instados por uma voz inaudível para os humanos, mas perfeitamente comprensível para patos, eles se reuniam e voltavam, em fila indiana, para casa. O açude era cercado pou uma contenção de pedras de quase um metro de altura por meio metro de largura, e creio que tinha uns quinze ou vinte metros de extensão.Eu ia frequentemente sentar-me nessa mureta tomar sol, contemplar os patos e pensar sobre a vida....
Mas o que desencadeou essas lembranças adormecidas? Ah , Confit de Canart!!! Servido por Nathaly L'Amour, num jantar familiar; o tal prato, no dia seguinte, foi apresentado, comentado e comido nos programas da Ana Maria Braga e do Video Show.
Ai, ai, a minha Avó que nasceu no ano de 1890 nunca falou francês, mas tinha a sabedoria popular, preparava patos , pernil de porco, e conservava-os na própria gordura e ou banha de porco, haja vista que ainda não havia eletricidade lá na cidadezinha.E nos ensinava: guardado assim banha dura meses. Na hora de servir, não era servido em porções individuais, mas em uma grande terrina guarnecida com folhas de alface e batatas doce fritas. Uma delicia.
É isso aí! Sou chic desde criancinha, alimentada com Confit de Canart embora a anfitriã informasse : "Hoje teremos pato assado".
PS. Estou digitando e ouvindo televisão, fiquei sabendo que hoje à noite vai ter especial com Jacson do Pandeiro .Voltei no tempo e, novamente me lembrei do Açude da Penha, o Açougue Municipal ficava bem em frente do Açude da Penha, era um predio alto e nele estava montada a unica boca de autofalante da Rádio Difusora, onde eram noticiados os óbitos, as chegadas e partidas, executava-se musicas de Jacson do Pandeiro, Marinês e sua Gente, entre outros, támbem era anunciada a programação cultural da cidade. Foi ali que ouvi a seguinte publicidade: " Não percam, hoje, a apresentação do filme O fantasma da o- pe-ra. ", e logo após uma voz sussurando: ópera, ópera
- Como?
- Ópera, ópera.
E depois, em alto e bom som : "Não percam, hoje, O Fantasma da Ópera, ópera!"
Eu tinha dez anos....
Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve? Como te chamas, dize, chuva simples e leve? Tereza? Maria? Entra, invade a casa, molha o chão, Molha a mesa e os livros. Sei de onde vens, sei por onde andaste. Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas, Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros. E em noites de lua cheia passam rondando os maruins: Lama viva, espírito do ar noturno do mangue. Invade a casa, molha o chão, Muito me agrada a tua companhia, Porque eu te quero muito bem, doce chuva, Quer te chames Tereza ou Maria.
São tantas as cores, tantas as especies que é dificil escolher a mais bonita. Os nomes também são vários: hibisco tropical, graxa de estudante, graxa de soldado, Mimo de Venus, Flor da Jamaica; recentemente conheci uma Senhora que me afirmou categoricamente que lá no Rio de Janeiro essa flor é conhecia como Brinco de Princesa (!!!!!) Bom não duvido nada, lá no Nordeste os Hibiscus dobrados são conhecidos por Papoulas (!!!!!).
De loucuras, de crimes, de pecados, de glórias - do medo que encadeia todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos, dentro deles choramos, em duros desenlaces e em sinistras alianças...
Cecília Meireles, in 'Canções'
12 de junho de 2011
Fonte: Blog Azulcaudal,,
O Amor Antigo O amor antigo vive de si mesmo não de cultivo alheio ou de presença. Nada exige nem pede. Nada espera, mas do destino não nega a sentença. O amor antigo tem raízes fundas, feitas de sofrimento e beleza Por aquelas mergulhas no infinito, e por estas suplanta a natureza Se em toda parte o tempo desmorona aquilo que foi grande e deslumbrante, o antigo amor, porém, nunca fenece e a cada dia surge mais amante. Mais ardente, mas pobre de esperança. Mais triste? Não. Ele venceu a dor, e resplandece no seu canto obscuro, tanto mais velho quanto mais amor ...
Tá bom ... a Páscoa já passou... mas o sacrificio de Jesus é eterno, o seu amor se renova cada dia!
Glórias a ELE que levou sobre SI as nossas enfermidades.
Graças a Deus pelos artistas que usam seus talentos para anunciarem as Boas Novas da Cruz.
Quem Sou Eu? Quem Sou Eu? Que o Senhor de toda a terra Se importaria em saber meu nome, Se importaria em sentir minha dor.
Quem sou eu? Que a Estrela da Manhã Escolheria iluminar o caminho Do meu aventureiro coração. Não por causa de quem sou Mas pelo que fizeste Não por causa do que fiz Mas por causa de quem és.
Refrão:
Eu sou uma flor que vai murchando E que logo então se esvai Uma onda no oceano, Um vapor ao vento., E ainda escutas quando clamo. Senhor, me levantas quando caio E me dizes quem eu sou. Eu sou teu Eu sou teu
Quem sou eu? Para que os olhos que vêem nossos erros Me olhassem com amor E me fizessem prosseguir Quem sou eu? Para que a voz que acalmou o mar Ainda busca acalmar A tempestade que há em mim Não por causa de quem sou Mas pelo que fizeste Não por causa do que fiz Mas por causa de quem és.
Refrão:
Eu sou uma flor que vai murchando E que logo então se esvai Uma onda no oceano, Um vapor ao vento. E ainda escutas quando clamo. Senhor, me levantas quando caio E me dizes quem eu sou. Eu sou teu. Não por causa de quem sou Mas pelo que fizeste Não por causa do que fiz Mas por causa de quem és.
Refrão:
Eu sou uma flor que vai murchando E que logo então se esvai Uma onda no oceano, Um vapor ao vento. E ainda escutas quando clamo. Senhor, me levantas quando caio E me dizes quem eu sou. Eu sou teu. Eu sou teu. Eu sou teu. A quem temerei? A quem temerei? Porque eu sou teu Eu sou teu. ************************************************* AMÉM, AMÉM, AMÉM......
Sei que as pessoas estão pulando na jugular umas das outras. Sei que viver está cada vez mais dificultoso. Mas talvez por isto mesmo ou talvez devido a esse setembro azulzinho, a essa primavera que vem aí, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, digamos, delicadamente nesta crônica, varando os tiroteios, os seqüestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorrem nos cruzamentos da televisão ou do cinema com a própria vida. Talvez devesse lançar um manifesto pela delicadeza. Drummond dizia: "Sejamos pornográficos, docemente pornográficos". Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em "grosseiramente pornográficos". Por isto, é necessário reverter poeticamente a situação e com Vinicius de Moraes ou Rubem Braga dizer em tom de elegia ipanemense: Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, urgentemente delicados. Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos. Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos.
(...)
. Lembram-se de Rimbaud? Ele dizia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida" . Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. Confesso que, buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutando palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de ser cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles. A delicadeza não é só uma categoria ética. Alguém deveria lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética. Ah, quem nos dera a delicadeza pueril de algumas árias de Mozart. A delicadeza luminosa dos quadros dos pintores flamengos, de um Vermeer, por exemplo. A delicadeza repousante das garrafas nas naturezas-mortas de Morandi. Na verdade, carecemos da delicadeza dos adágios. Sei que alguém vai dizer que com delicadeza não se tira um MST — com sua foice e fúria — dos prédios ocupados. Mas quem poderá negar que o poder tem sido igualmente indelicado com os pobres desse país há 500 anos? Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memoráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e, no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou o seu contato com os índios brasileiros: "Morrer se preciso for, matar nunca". Sei que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo, não nos deixam ser delicados. E eu não sei?
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, Nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, Mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração? Uma coisa é saúde outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação. Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso. A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo. Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada. Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas… Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude. Que eu me acalme. Que o amor sobreviva. " Cuide bem do seu amor, seja ele quem for "
Trem sujo da Leopoldina correndo correndo pra dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Piiiii estação de Caxias de novo a dizer de novo a correr tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Vigário Geral Lucas Cordovil Brás de Pina Penha Circular Estação da Penha Olaria Ramos Bom Sucesso Carlos Chagas Triagem, Mauá trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome
Tantas caras tristes querendo chegar em algum destino em algum lugar Trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Só nas estações quando vai parando lentamente começa a dizer se tem gente com fome dá de comer se tem gente com fome dá de comer se tem gente com fome dá de comer
Mas o freio do ar todo autoritário manda o trem calar Psiuuuuuuuuuu ************************************
Belle tinha sete meses, e quando ouvia a música tema de abertura de Pé na Jaca, quase falava de ansiedade para ir pra frente da TV. Ela se esticava, balançava os bracinhos e fazia biquinho como se quizesse cantar. Eita, já faz quatro anos e cinco meses. O tempo passa, o tempo voa....
Essa canção também lembra Belle com dois anos. A escola fez uma apresentação onde as tias cantavam e tocavam, a participação das crianças era dizer sim ou não, por exemplo: Será que tem caminhão? e elas respondiam Nâããããããããããão,porém o stress de se apresentar para seus pais, e os pais das outras, fez que Belle dissesse Siiiiiiiiiiim, quando a pergunta foi "será que tem chulé?".
Belle ainda vai fazer quatro anos, ela não entende relações de parentesco, mas eu me esforço pra explicar:
- O que a vovó é do seu papai?
- Não sei...
- É a mamãe dele. Eu sou a mãe do seu papai.
- Ah, entendi.
E assim vou perguntando e, respondendo, às vezes, sobre tios, avós, primo, tias...
Não sei se viverei pra contar sobre nossa familia para Belle, mas quero que ela saiba que os belos olhos azuis que ela tem foram herdados da sua bisavó paterna.
Se um dia ela se descobrir poeta poderá ser herança de deu trisavô Manuel Pureza, que nunca as escreveu, mas, adorava declamá-las de cor, ou de sua avô Rozeli,que andou fazendo umas rimas quando Belle nasceu.
Ah! Belle,sua vovó nasceu em São Paulo e seu vovô "Galã" em Pernambuco eles se encontraram na Bahia, se casaram, e seus filhos, inclusive seu pai, nasceraml lá.
Você, Belle, nasceu em Goiânia, mas isso já o sabes muito bemmmmm....
Mas, Belle, se um dia fores tomada por um desejo imenso de justiça, e saires em defesa dos mais fracos, podes crer que o DNA da Vovó "Zezely" continua a existir em ti. E, se fores cantar um bela canção e sair dissonante, é com certeza,também, herança da sua vovó
Postado por Roselee Salles às 11:30 0 comentários
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2 de setembro de 2009
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Ontem foi o aniversário de 05 anos da Belle, eu estou republicando essa postagem.
Não pude colhê-la: mal nascera e logo perdi-me nos labirintos do tempo, onde desde então pervago apenas entressonhando aquilo que sou - e vive no recôncavo da rosa.
Sem conhecer-me, padeço o mistério de existir em amargo desencontro comigo mesmo. No entanto, pesar tão largo se apaga quando pressinto: na rosa, mistério não há. Nenhum.