30 de setembro de 2009

Primavera.



http://4.bp.blogspot.com/_iSC9y33KWeE/SbM8azRfqpI/AAAAAAAAIRg/UZoaoJaC0bo/s400/Gramado%2520Hortencias.jpgAlinhar ao centro
Primavera.
Um pedaço de céu caiu na terra:
em tufos fofos de flocos frouxos frívolas hortênsias
volantes como crinolinas fúteis
desmancham-se em reverências
ou passeiam como sombrinhas lindamente inúteis
ou pousam empoadas de ar como pompons.
O céu é um grande linho muito passado no anil
que o vento enfuna num varal de vidro.
Ele é o toldo azul de um bazar
onde brinca vestido de ar
um clown elástico, ágil e sutil.

Guilherme de Almeida
Publicado no livro Meu: livro de estampas (1925).

29 de setembro de 2009

Série Relações Diplomáticas - Tailândia: Bromélias da Mata Atlântica, Orquídea e Arquitetura.

Peças Filatélicas

Selo - Brasil 88 - Preservação da Estação Ecológica da Jureia

Selos - Tema flores

REV/CLT 35498 - Flores Diversas

Ukrâina - Borboletas



Lindo, lindo....

28 de setembro de 2009

Alfabeto Poético


Juan Mann era apenas um homem que ficava parado numa praça em Sydney, Austrália oferecendo abraços de graça para as pessoas que passavam pelas ruas.
Um certo dia, Mann ofereceu um abraço a Shimon Moore, o lí­der da banda Sick Puppies e, desde então se tornaram bons amigos. Moore então decidiu gravar Mann fazendo sua campanha por "Abraços Grátis". À medida que o Free Hugs atingiu proporções maiores, o conselho da cidade tentou banir a campanha. Então Mann e seus amigos fizeram uma petição com mais de 10.000 assinaturas apoiando a campanha do abraço de graça. Quando a avó de Mann morreu, Moore decidiu mixar o ví­deo que ele tinha feito do Free Hugs com a música All the Same, que ele havia gravado com a sua banda Sick Puppies.

27 de setembro de 2009

27/10 - Dia Mundial do Turismo - o Tema desse ano é Turismo sustentável.

Para viajar basta existir.
Fernando Pessoa


a
Olinda - PE


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As fotos abaixo são do Vale do Catimbau - PE







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fonte: http://www.skyscrapercity.com


26 de setembro de 2009

Eu não existo sem voce

quando a gente ama

Sonhei



Sonhei e fui, sinais de sim,
Amor sem fim, céu de capim,
E eu olhando a vida olhar pra mim.

Sonhei e fui, mar de cristal,
Sol, água e sal, meu ancestral,
E eu tão singular me vi plural.

Sonhei e fui, num sonho à toa,
Uma leoa, água de Goa,
E eu rogando ao tempo:
- Me perdoa
E eu rogando ao tempo:
- Me perdoa

Sonhei pra mim, tanta paixão,
De grão em grão, verso e canção,
E eu tentando nunca ouvir em vão.

Sonhei, senti, sol na lagoa,
Céu de Lisboa, nuvem que voa,
E um país maior que uma pessoa.

Sonhei e vim, mares de Espanha,
Terras estranhas, lendas tamanhas,
E eu subi sorrindo esta montanha.
E eu subi sorrindo esta montanha.

Sonhei, enfim, e vejo agora,
Beijo de Aurora, ventos lá fora,
E eu cantando a Deus e indo embora.
E eu cantando a Deus e indo embora.


Composição: Lenine / Ivan Santos / Bráulio Tavares

Fica decretado



Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

(Thiago de Mello)
Santiago do Chile, abril de 1964


25 de setembro de 2009

A vida só é possível reinventada.



A vida só é possível reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas. . .
Ah! Tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... – mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços cheios da tua Figura.
Tudo mentira!
Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcança...
Só - no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.
Só - na trevas fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.

Cecilia Meirelles



Há Poesia...


Há poesia em toda a criação divina. Artur da Távola

Chove.



Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...


Fernando Pessoa
in "Cancioneiro"


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Chove ? Nenhuma Chuva Cai...

Chove? Nenhuma chuva cai...
Então onde é que eu sinto um dia
Em que ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia ?

Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde é que é triste, ó claro céu?
Eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te meu...

E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...

E eis que ante o sol e o azul do dia,
Como se a hora me estorvasse,
Eu sofro... E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.

Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuro, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim...

Os céus da tua face, e os derradeiros
Tons do poente segredam nas arcadas...

No claustro sequestrando a lucidez
Um espasmo apagado em ódio à ânsia
Põe dias de ilhas vistas do convés

No meu cansaço perdido entre os gelos,
E a cor do outono é um funeral de apelos
Pela estrada da minha dissonância...

Fernando Pessoa
in "Cancioneiro"

24 de setembro de 2009

Completamente Blue

http://thumbs.dreamstime.com/thumb_287/1215468229X3X1cd.jpghttp://www.hotelfazendarr.com/noticias/caminho/arara-azul.jpghttp://www.relogiodeparede.com/Canecas_/CANECASDECAFEAZUL-G.jpg

Tudo azul
Completamente blue
Vou sorrindo, vou vivendo
Logo mais, vou no cinema
No escuro, eu choro
E adoro a cena

Sou feliz em Ipanema
Encho a cara no Leblon
Tento ver na tua cara linda
O lado bom

Como é triste a tua beleza
Que é beleza em mim também
Vem do teu sol que é noturno
Não machuca e nem faz bem

Você chega e sai e some
E eu te amo assim tão só
Tão somente o teu segredo
E mais uns cem, mais uns cem

Tudo azul, tudo azul
Completamente blue
Tudo azul

Como é estranha a natureza
Morta dos que não têm dor
Como é estéril a certeza
De quem vive sem amor, sem amor

Mas tudo azul, tudo azul, tudo azul
Completamente blue
Tudo azul

Composição: Cazuza / George Israel / Nilo Roméro / Rogério Meanda

Não me entendo


O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se entendesse.

Clarice Lispector



Alegria




"...juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar."

(Clarice Lispector)

23 de setembro de 2009

O-que-o-arroba-realmente-significa

arroba

http://hypescience.com

Nós usamos esse símbolo todos os dias. Os americanos e ingleses chamam de “at sign”, os italianos de caracol, os eslavos de macaco e nós o conhecemos como arroba.
Mas o que ele significava há 473 anos atrás?
Em maio de 1536, um mercador chamado Francesco Lapi, que estava em Sevilha, na Espanha, escreveu o símbolo pela primeira vez. No entanto, não era seguido de um nome de domínio, como nos nossos e-mails. Naquele tempo, ele estava se referindo ao número de ânforas de vinho que seriam despachadas para Roma. Uma ânfora era uma medida comercial amplamente usada naquele tempo.
Em espanhol, a palavra para essa medida é “arroba”, que é o nome que o símbolo “@” recebe até hoje em nossa linguagem. Posteriormente, ele foi conservado em teclados de máquinas de escrever e aparece hoje em nosso computador.
As pessoas usavam o símbolo no comércio, e ele significava “ao preço de”. Foi em 1971 que Ray Tomlinson o incorporou ao e-mail. “Fazia sentido que eu indicasse o servidor daquele e-mail assim como as pessoas indicavam preços. O @ funcionou como um ‘em’”.

Fonte:http://hypescience.com/o-que-o-arrob-realmente-significa/


17 de setembro de 2009

Canção do Sonho Acabado




Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.


Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram fantasia...


Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.


Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu pude:

Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...

Cecilia Meireles

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Catarse???
Talvez...

16 de setembro de 2009

Canção do Amor-Perfeito

imagem: http://ideotario.blogspot.com/

O tempo seca a beleza.
seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.


O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.


O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.


Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
não na terra, Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.


Cecília Meireles

As Rosas





Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;

Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.

Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.

Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.

Machado de Assis, in 'Crisálidas'