Mostrando postagens com marcador Textos poeticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos poeticos. Mostrar todas as postagens

9 de junho de 2011

Tempo de delicadeza - Affonso Romano de Sant'Anna

Sei que as pessoas estão pulando na jugular umas das outras.
Sei que viver está cada vez mais dificultoso.
Mas talvez por isto mesmo ou talvez devido a esse setembro azulzinho, a essa primavera que vem aí, o fato é que o tema da delicadeza começou a se infiltrar, digamos, delicadamente nesta crônica, varando os tiroteios, os seqüestros, as palavras ásperas e os gestos grosseiros que ocorrem nos cruzamentos da televisão ou do cinema com a própria vida.
Talvez devesse lançar um manifesto pela delicadeza. Drummond dizia: "Sejamos pornográficos, docemente pornográficos". Parece que aceitaram exageradamente seu convite, e a coisa acabou em "grosseiramente pornográficos". Por isto, é necessário reverter poeticamente a situação e com Vinicius de Moraes ou Rubem Braga dizer em tom de elegia ipanemense: Meus amigos, meus irmãos, sejamos delicados, urgentemente delicados. Com a delicadeza de São Francisco, se pudermos. Com a delicadeza rija de Gandhi, se quisermos.


(...)


. Lembram-se de Rimbaud? Ele dizia: "Por delicadeza, eu perdi minha vida" .
Há pessoas que perdem lugar na fila, por delicadeza. Outras, até o emprego. Há as que perdem o amor por amorosa delicadeza. Sim, há casos de pessoas que até perderam a vida, por pura delicadeza. Confesso que, buscando programas de televisão para escapar da opressão cotidiana, volta e meia acabo dando em filmes ingleses do século passado. Mais que as verdes paisagens, que o elegante guarda-roupa, fico ali é escutando palavras educadíssimas e gestos elegantemente nobres. Não é que entre as personagens não haja as pérfidas, as perversas. Mas os ingleses têm uma maneira tão suave, tão fina de ser cruéis, que parece um privilégio sofrer nas mãos deles.
A delicadeza não é só uma categoria ética. Alguém deveria lançar um manifesto apregoando que a delicadeza é uma categoria estética.
Ah, quem nos dera a delicadeza pueril de algumas árias de Mozart. A delicadeza luminosa dos quadros dos pintores flamengos, de um Vermeer, por exemplo. A delicadeza repousante das garrafas nas naturezas-mortas de Morandi. Na verdade, carecemos da delicadeza dos adágios.
Sei que alguém vai dizer que com delicadeza não se tira um MST — com sua foice e fúria — dos prédios ocupados. Mas quem poderá negar que o poder tem sido igualmente indelicado com os pobres desse país há 500 anos?
Penso nos grandes delicados da história. Deveriam começar a fazer filmes, encenar peças sobre os memoráveis delicados. Vejam o Marechal Rondon. Militar e, no entanto, como se fora um místico oriental, cunhou aquela expressão que pautou o seu contato com os índios brasileiros: "Morrer se preciso for, matar nunca".
Sei que vão dizer: a burocracia, o trânsito, os salários, a polícia, as injustiças, a corrupção e o governo, não nos deixam ser delicados.
E eu não sei?

4 de maio de 2011

Quero lhe implorar para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração
e tente amar.
As perguntas como quartos trancados
e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas
porque não seria capaz de vivê-las.
E a questão é viver tudo.
Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.


Rainer Maria Rilke

14 de novembro de 2009

Demasia

Alinhar à esquerda

Os filhos que pari

trilharam seus caminhos

(como dizem que deve ser).

Eu não me conformei:

andei em seus calcanhares,

lancei-me em mil direções,

fiquei perdida nesta casa vazia.


Toda a noite espreito os velhos quartos

para ver se as memórias dormem direito,

se escovaram os dentes,

fizeram as lições.


Meus filhos tiveram outros,

e eu me fragmentei ainda mais.

No espelho não vejo ninguém:

virei poeira de gente, soprada entre eles.


Tanto me entranhei em suas vidas,

que tentam limpar-se de mim

para poderem crescer,

para não serem meus filhos.


(Lya Luft)



19 de outubro de 2009



SER FELIZ

Ser feliz não é ter

um céu sem tempestades,

caminhos sem acidentes,

trabalhos sem fadigas,

relacionamentos sem decepções.

Ser feliz é

encontrar força no perdão,

esperança nas batalhas,

segurança no palco do medo,

amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas

comemorar o sucesso,

mas aprender lições

nos fracassos.

Ser feliz não é apenas

ter júbilo nos aplausos

mas encontrar alegria

no anonimato.

Ser feliz é reconhecer

que vale a pena viver a vida,

apesar de todos os desafios,

incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz não é

uma fatalidade do destino,

mas uma conquista de quem sabe viajar

para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas

e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si

e ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz, é não ter medo

dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um “não”.

É ter segurança para receber uma crítica,

mesmo que injusta.

É beijar os filhos, curtir os pais!

É ter momentos poéticos com os amigos,

mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver

a criança livre, alegre e simples

que mora dentro de cada um de nós.

É ter maturidade para falar:

“Eu errei”.

É ter ousadia para dizer:

“Me perdoe!”

É ter sensibilidade para expressar:

“Eu preciso de você”.

É ter capacidade de dizer “Eu te amo”.

E, quando você errar o caminho,

recomece tudo de novo.

Pois assim você será cada vez

mais apaixonado pela vida.

E descobrirá que...

Ser feliz não é ter uma vida perfeita.

Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.

Usar as perdas para refinar a paciência.

Usar as falhas

para esculpir a serenidade.

Usar a dor para lapidar o prazer.

Usar os obstáculos para abrir

as janelas da inteligência.

Dez Leis Para Ser Feliz"
de Augusto Cury

21 de agosto de 2009




SER FELIZ

Ser feliz não é
ter
um céu sem tempestades,
caminhos sem acidentes,
trabalhos sem fadigas,
relacionamentos sem decepções.

Ser feliz
é
encontrar força no perdão,
esperança nas batalhas,

segurança no palco do medo,
amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas
comemorar o sucesso,
mas aprender lições nos fracassos.

Ser feliz
não é apenas
ter júbilo
nos aplausos

mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz
é reconhecer
que
vale a pena viver a vida,

apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.


Ser feliz não é
uma fatalidade do destino,
mas uma conquista de quem sabe viajar
para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz
é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si
e ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz, é não ter medo
dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.

É beijar os filhos, curtir os pais!
É ter momentos poéticos com os amigos,
mesmo que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver
a criança livre, alegre e simples
que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar:“Eu errei”.
É ter ousadia para dizer:“Me perdoe!”
É ter sensibilidade para expressar:
“Eu preciso de você”.

É ter capacidade de dizer “Eu te amo”.
E, quando você errar o caminho,
recomece tudo de novo.
Pois assim você será cada vez
mais apaixonado pela vida.
E descobrirá que...

Ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir
as janelas da inteligência.

Dez Leis Para Ser Feliz"
de Augusto Cury


20 de agosto de 2009



A arte de ser avó

Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.

Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.

Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!

Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Rachel de Queiroz

17 de junho de 2009

O amor segundo Fernanda Young




"O que é amor para mim?
Não temer o outro, seja lá no que for, contar com o outro.
A mágoa é possível, mas não deixar que a mágoa se transforme em amargura e rancor. Ainda sou assustada com as pessoas com as quais me relacionei: aquela cultura machista.
É claro que existem as exceções e as exceções são bárbaras.
Eu convivo com uma há dez anos: o meu marido.
Os ritmos estão muito hedonistas, falta paciência.
As pessoas terminam os relacionamentos porque querem grandes excitações.
Sou a favor da unidade familiar, principalmente se as crianças estiverem envolvidas, mas desde que seja suportável.
Traição é uma droga.
E não pela traição.
O ser humano não quer dividir seu amor. o amor requer paciência e um tempo filosófico para você se questionar.
Não é o caminho do maior peito, de plástica ou então ficar trocando de paixão pelo resto da vida.
Se você quer que ele dure (o amor) tem que perdoar sempre.
" Para Fernanda Young, amar é acreditar."

Fernanda Maria Young de Carvalho Machado (Niterói, 1 de maio de 1970) escritora, atriz, roteirista e apresentadora de televisão brasileira.


14 de junho de 2009

[aliceSONHA.jpg]



Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta, se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isto a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.

A realidade, Maria, é louca. Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares esta charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta. O importante é dar ou inventar uma resposta, ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social, ou de bolso: nem toda sabedoria tem de ser grave. A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia. Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas, muitas vezes, por caminhos tão escondidos que quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, apostar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.

Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

Paulo Mendes Campos


9 de junho de 2009

Chocolate quente

http://im.sify.com/lifestyle/bawarchi/images/oct2007/Creamy-Hot-Chocolate_413.jpg

Um grupo de jovens graduados, todos bem sucedidos nas carreiras, decidiu fazer uma visita a um velho professor, agora reformado. Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho.
O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma caneca de chocolate quente. Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de canecas, todas diferentes – de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas. Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade. Quando já todos tinham uma caneca de chocolate quente na mão, disse-lhes: – Reparem como todos procuraram escolher as canecas mais bonitas e dispendiosas, deixando ficar as mais vulgares e baratas... Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress. A caneca por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente. Na maioria dos casos é apenas uma caneca mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a caneca; mas fostes conscientemente para as canecas melhores... Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou:– Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as canecas. Estas são apenas meios de conter e servir a vida. A caneca que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida. Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na caneca acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu. As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm. Vivei com simplicidade. Amai generosamente. Ajudai-vos uns aos outros com empenho. Falai com gentileza…… e apreciai o vosso chocolate quente.

(autor desconhecido)


31 de maio de 2009

Metáfora


(...) porque sou salva pela metáfora, a única realidade. A ciência não salva, porque insiste em chamar as coisas por seus nomes e quem suporta isto ?
O amor é a mais fantástica metáfora, a realidade mais incrí­vel.
Pedro ama em mim o que serei quando for.

Adélia Prado - Os componentes da banda. Editora Rocco, p. 49


5 de maio de 2009

LONGE É UM LUGAR QUE NÃO EXISTE
Richard Bach




"- Rae! Obrigado por me convidar para a sua festa de aniversário!"

Sua casa fica a mil quilômetros da minha e viajo apenas pela melhor das razões. E uma festa para Rae é a melhor e estou ansioso para estar ao seu lado.

Começo a viagem no coração do Beija-Flor, que há tanto tempo você e eu conhecemos. Ele se mostrou amigo como sempre, mas ficou espantado quando lhe disse que a pequena Rae estava crescendo e que eu estava indo à sua festa de aniversário, levando um presente.

Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele disse:

- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é o fato de estar "indo" a uma festa.

- Claro que estou indo à festa. - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Ele ficou calado e só voltou a falar quando chegamos à casa da coruja:

- Podem os quilômetros separar-nos realmente dos amigos? Se quer estar com Rae, já não está lá?

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para a coruja. Parecia estranho dizer "indo" depois da conversa com Beija-Flor, mas falei assim mesmo para que Coruja compreendesse.

Ela voou em silêncio pôr um longo tempo.

Era um silêncio amistoso, mas Coruja disse ao me deixar em segurança na casa da águia:

- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é ter chamado sua amiga de "pequena".

- Claro que ela é pequena, porque não é crescida - respondi. - O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Coruja fitou-me com os olhos profundos, cor de âmbar, sorriu e disse:

- Pense a respeito.

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para Águia. Parecia estranho falar agora "indo" e "pequena", depois das conversas com Beija-Flor e Coruja, mas falei assim mesmo para que Águia compreendesse.

Voamos juntos sobre as montanhas, subindo nos ventos das montanhas.

E Águia finalmente disse :

- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é essa palavra "aniversário".

- Claro que é aniversário. - respondi. - Vamos comemorar a hora que Rae começou e antes da qual ela não era. O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Águia curvou as asas para a descida e foi pousar suavemente sobre a areia do deserto.

- Um tempo antes de Rae começar? Não acha que é mais a vida de Rae que começou antes que o tempo existisse?

- A pequena Rae está crescendo e estou indo à sua festa de aniversário com um presente. - falei para Gavião. Parecia estranho falar "indo", "pequena" e "aniversário", depois das conversas com Beija-Flor, Coruja e Águia, mas falei assim mesmo para que Gavião compreendesse.

O deserto se estendia interminavelmente lá embaixo e ele finalmente disse:

- Não entendo muito bem o que você falou, mas o que menos entendo é "crescendo".

- Claro que ela está crescendo - respondi. - Rae está mais perto de ser adulta, mais longe de ser criança. O que há de tão difícil de se compreender nisso?

Gavião pousou finalmente numa praia deserta.

- Mais um ano longe de ser criança? Isso não me parece ser o mesmo que crescer.

E Gavião alçou vôo e foi embora.

Eu conhecia o bom senso de Gaivota. Voamos juntos, pensei com muito cuidado e escolhi as palavras, a fim de que, ao falar, Gaivota soubesse que eu estava aprendendo:

- Gaivota, por que está me levando a voar para ver Rae, quando na verdade sabe que estou com ela?

Gaivota sobrevoou o mar, as colinas, as ruas e pousou suavemente em seu telhado e disse:

- Porque o importante é você saber a verdade. Até saber, até realmente compreender, só pode demonstrá-la em coisas menores, com ajuda externa, de máquinas e pessoas e pássaros. Mas deve se lembrar sempre que não saber não impede a verdade de ser verdadeira.

E Gaivota se foi.

E agora é chegado o momento de abrir o seu presente. Presentes de lata e vidro amassam e quebram num dia, somem para sempre. Mas eu tenho um presente melhor para você.

É um anel para você usar. Cintila com uma luz especial e não pode ser tirado por ninguém, não pode ser destruído. Somente você, no mundo inteiro, pode ver o anel que lhe dou hoje, como fui o único que pude vê-lo quando era meu.

O anel lhe dá um novo poder. Usando-o, você pode alçar vôo nas asas de todos os pássaros que voam.

Pode ver através dos olhos dourados deles, pode tocar o vento que passa pôr suas penas macias, pode conhecer a alegria de se elevar muito acima do mundo e suas preocupações. Pode permanecer no céu pôr tanto tempo quanto quiser, através da noite, pelo descer do sol; e quando sentir vontade de outra vez descer, suas perguntas terão respostas, suas preocupações terão acabado.

Como tudo o que não pode ser tocado com a mão nem visto com o olho, seu presente se torna mais forte à medida que o usa.

A princípio, pode usá-lo apenas quando está fora de casa, contemplando o pássaro com quem você voa.

Mais tarde, porém, se usá-lo bem, vai funcionar com pássaros que não pode ver, até que finalmente acabará descobrindo que não precisa do anel nem de pássaro para voar sozinho acima da quietude das nuvens.

E quando esse dia chegar, deve dar seu presente a alguém que saiba que irá usá-lo bem, alguém que possa aprender que as coisas que importam são as feitas de verdade e alegria, não as de lata e vidro.

Rae, este é o último dia especial de comemoração a cada ano que estarei com você, tendo aprendido com os nossos amigos, os pássaros.

Não posso ir ao seu encontro porque já estou com você.

Você não é pequena porque já é crescida, brincando entre suas vidas como todos fazemos, pelo prazer de viver.

Você não tem aniversário porque sempre viveu; nunca jamais haverá de morrer. Não é a filha das pessoas a quem chama de mãe e pai, mas a companheira de aventuras delas na jornada maravilhosa para compreender as coisas que são.

Cada presente de um amigo é um desejo de felicidade.

É o caso do anel.

Voe livre e feliz além de aniversários e através do sempre. Haveremos de nos encontrar outra vez, sempre que desejarmos, no meio da única comemoração que não pode jamais terminar.

25 de março de 2009

VIVER

Viver !

Estamos envelhecendo a todo momento de nossas vidas.

Da concepção à morte, nunca deixamos de envelhecer. Por este fato, devemos considerar que envelhecer é sinônimo de viver. É pertencer a um espaço e a um tempo subjetivos que nos proporcionam viver em busca do conhecimento que não se esgota. Vivemos pelo conhecer.
E a aquisição do conhecimento surge através do sentir, ou seja, pela experiência instantânea e pontual de algo que atinge o corpo.
......

Não existe outra maneira de compreender o mundo que não seja através dos nossos sentidos. Assim, o conhecer surge mediante estímulos sensoriais que atingem o corpo, possibilitando-nos examinar estas sensações produzidas e preparar o corpo para devolver ao mundo o que foi descoberto, em forma de movimento. Portanto, pelo sentir e pelo movimento descobrimos o mundo, adquirindo o conhecimento necessário que servirá de base para o organismo se adaptar adequadamente a cada circunstância que o envolve.
É neste sentido que viver é conhecer.

(extraído do livro "Envelhecer" de Pedro Paulo Monteiro)

2 de março de 2009

Livre, Terra e Irmão.

Querido Mateus .

Eu: mulher cristã, advogada, avó

Palavras que amamos tanto, há muitos anos, dormem em dicionário. Hoje tirei do sono três palavras para dar de presente a você: Livre, Terra e Irmão.
Quando escritas, lê-se poesia; se faladas, são melodia; somadas, fazem novo dia.
Com saudades, despede a

Ana
.

.
Correspondência
Bartolomeu Campos Queirós
Editora Miguilim


19 de fevereiro de 2009

Quando amamos


Quando amamos fortemente, é sempre uma novidade ver a pessoa amada; após um momento de ausência, damos pela sua falta no coração. Que alegria, a de a reencontrarmos! Sentimos de imediato um cessar de inquietações. É necessário todavia que esse amor esteja já muito avançado; porque quando é nascente e não fizemos progresso algum, sentimos com efeito um cessar de inquietações, mas outras sobrevêm.Ainda que os males se sucedam assim uns aos outros, não deixamos de desejar a presença da amada na esperança de sofrermos menos; contudo quando a vemos, cremos sofrer mais do que antes. Os males passados já não ferem, os presentes tocam-nos, e é pelo que toca que ajuizamos. Um amante neste estado não é digno de compaixão?

Blaise Pascal- Discurso sobre as Paixões do Amor

17 de dezembro de 2008

Eu faço e abuso da felicidade - Charles Chaplin

http://i225.photobucket.com/albums/dd278/gigante444/6968beija_flor.jpgAlinhar à esquerda


Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou, não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna. Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão.

Perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito para ser insignificante. Eu faço e abuso da felicidade e não desisto dos meus sonhos. O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos

Charles Chaplin

27 de novembro de 2008

O MAGO - Augusto Branco

Imagens bebes

O Mago

Quando crianças, nós não conhecemos limites. Num curto período de tempo, aprendemos a falar sem nunca antes termos falado coisa alguma. Aprendemos a andar com nossos membros frágeis para explorar o mundo sem nunca antes termos dado um um passo sequer. Aprendemos a observar, a reconhecer, a alegrarmo-nos, a sofrer, e continuarmos nossas experiências de explorações e descobertas.
Quando crianças, conseguimos tudo isso, sim, por que temos o apoio de todos que nos cercam, mas principalmente por que em nenhum momento nós pensamos que não somos capazes.
É como se movesse dentro de nós o Espírito do Mago, que conhece e domina todos os aspectos do mundo. O Mago sabe que tudo lhe é possível, por que tudo provém apenas de sua vontade. Assim, o Mago apenas deseja, quer, tenta e, irremediavelmente, consegue. Somos todos Magos quando crianças, mas aos poucos vamos perdendo nossa magia, entregando-a ao acaso toda vez que duvidamos de nós mesmos.
Então é preciso notar que para realizar maior parte da coisas que desejamos, precisamos recuperar a magia da infância, precisamos recuperar o Mago que há dentro de nós, e fazer valer a crença de que confiando exclusivamente em nós mesmos, podemos ultrapassar qualquer fronteira!

Augusto Branco

NOVIDADES

NOVIDADES


SOBRINHOS NASCIDOS NO ANO DE 2008

  • PEDRO - FILHO DA NEILA E DO ITO

  • PEDRO HENRIQUE - FILHO DA ELISANGELA E DO WESCLEY
LARISSA - FILHA DA LIDIANE E DO LEANDRO,
















BEM VINDOS
PEQUENINOS AO PLANETA TERRA
!!!!

Precisamos ensinar à próxima geração de crianças, a partir do primeiro dia, que eles são responsáveis por suas vidas. A maior dádiva da espécie humana, e também sua maior desgraça, é que nós temos livre arbítrio. Podemos fazer nossas escolhas baseadas no amor ou no medo.

Elizabeth Kubler-Ross

29 de setembro de 2008

“O Pequeno Príncipe”, Fragmento


CATIVAR


(...)

E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- Que quer dizer “cativar”?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços...”
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.

Mas a raposa voltou à sua idéia.

- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa nenhuma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa nenhuma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estaria inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada.
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.

Saint Exupery


18 de setembro de 2008

Eu aprendi



que a melhor sala de aula do mundo está aos pés de uma pessoa mais velha;
que ter uma criança adormecida nos braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo;
que ser gentil é mais importante do que estar certo;
que nunca se deve negar um presente a uma criança;
que eu sempre posso fazer uma prece por alguém quando não tenho a força para ajudá-lo de alguma outra forma;
que não importa quanta seriedade a vida exija de você, cada um de nós precisa de um amigo brincalhão para se divertir junto;
que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender;
que os passeios simples com meu pai em volta do quarteirão nas noites de verão quando eu era criança fizeram maravilhas para mim quando me tornei adulto;
que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos;
que dinheiro não compra "classe";
que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular;
que debaixo da "casca grossa" existe uma pessoa que deseja ser apreciada, compreendida e amada;
que Deus não fez tudo num só dia; o que me faz pensar que eu possa ?
que ignorar os fatos não os altera;
que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;
que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;
que a maneira mais facil para eu crescer como pessoa é me cercar de gente mais inteligente do que eu;
que cada pessoa que a gente conhece deve ser saudada com um sorriso;
que ninguem é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;
que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;
que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.
que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;
que devemos sempre ter palavras doces e gentis pois amanhã talvez tenhamos que engolí-las; que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar sua aparência;
que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;
que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;
que só se deve dar conselho em duas ocasiões: quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte;
Que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.

Belle, Belle, Belle!!!!!!

Belle, a guerreira vencedora.

Eram milhares deles correndo, buscavam o primeiro lugar. Eu pensei : tenho que chegar em primeiro lugar. Corri , corri, deixei-os para trás.
SOU BELLE!!!, campeã na corrida da vida!



Belle, sim Senhor, não Senhor



Dia 25 de agosto é o Dia do soldado.
Belle, soldado ou enfermeira???