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13 de dezembro de 2011

Portas (2)



Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se ! Mas, também, tem um preço... São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno. A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida... Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!
Içami Tiba

1 de setembro de 2011

Tarsila do Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro,

Nascida em 1 de setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, em Capivari, interior de São Paulo, era filha de José Estanislau do Amaral Filho e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, e neta de José Estanislau do Amaral, cognominado “o milionário” em virtude da imensa fortuna acumulada em fazendas do interior paulista.
Seu pai herdou a fortuna e diversas fazendas, onde Tarsila e seus sete irmãos passaram a infância.

Estudos em São Paulo e Barcelona

Tarsila do Amaral estudou em São Paulo, em colégio de freiras do bairro de Santana e no Colégio Sion. E completou os estudos em Barcelona, na Espanha, no Colégio Sacré-Coeur.

 

Início da carreira


Da esquerda para a direita: Pagu, Elsie Lessa, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Eugênia Álvaro Moreyra em época posterior à Semana de Arte Moderna de 1922

Abaporu, uma de suas obras mais conhecidas e um ícone do Modernismo brasileiro. Óleo sobre tela, 1928
Começou a aprender pintura em 1917, com Pedro Alexandrino Borges. Mais tarde, estudou com o alemão George Fischer Elpons. Em 1920, viaja a Paris e frequenta a Academia Julian, onde desenhava nus e modelos vivos intensamente. Também estudou na Academia de Émile Renard.
Apesar de ter tido contato com as novas tendências e vanguardas, Tarsila somente aderiu às ideias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922. Numa confeitaria paulistana, foi apresentada por Anita Malfatti aos modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Esses novos amigos passaram a frequentar seu atelier, formando o Grupo dos Cinco (Arte Moderna Brasileira).
Em janeiro de 1923, na Europa , Tarsila se uniu a Oswald de Andrade e o casal viajou por Portugal e Espanha. De volta a Paris, estudou com os artistas cubistas: frequentou a Academia de Lhote, conheceu Pablo Picasso e tornou-se amiga do pintor Fernand Léger, visitando a academia desse mestre do cubismo, de quem Tarsila conservou, principalmente, a técnica lisa de pintura e certa influência do modelado legeriano.

Fases Pau-Brasil e Antropofagia

Em 1924, em meio à uma viagem de "redescoberta do Brasil" com os modernistas brasileiros e com o poeta franco-suíço Blaise Cendrars, Tarsila iniciou sua fase artística “Pau-Brasil”, dotada de cores e temas acentuadamente tropicais e brasileiros, onde surgem os "bichos nacionais"(mencionados em poema por Carlos Drummond de Andrade), a exuberância da fauna e da flora brasileira, as máquinas, trilhos, símbolos da modernidade urbana.
Casou-se com Oswald de Andrade em 1926 e, no mesmo ano, realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Percier, em Paris. Em 1928, Tarsila pinta o Abaporu, cujo nome de origem indígena significa "homem que come carne humana", obra que originou o Movimento Antropofágico, idealizado pelo seu marido.
A Antropofagia propunha a digestão de influências estrangeiras, como no ritual canibal (em que se devora o inimigo com a crença de poder-se absorver suas qualidades), para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira.
Em julho de 1929, Tarsila expõe suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro.
No Brasil, por participar de reuniões políticas de esquerda e pela sua chegada após viagem à URSS, Tarsila é considerada suspeita e é presa, acusada de subversão. Em 1933, ao pintar o quadro “Operários”, a artista passa por uma fase de temática mais social, da qual são exemplos as telas Operários e Segunda Classe.
A partir da década de 40, Tarsila passa a pintar retomando estilos de fases anteriores. Expõe nas 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganha uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) em 1960. É tema de sala especial na Bienal de São Paulo de 1963 e, no ano seguinte, apresenta-se na 32ª Bienal de Veneza.

Últimas décadas: 1960 e 1970

Em 1965, foi submetida a uma cirurgia de coluna, já que sentia muitas dores, e um erro médico a deixou paralítica, permanecendo em cadeira de rodas até seus últimos dias.
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Tarsila do Amaral, a artista-símbolo do modernismo brasileiro, faleceu no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, em 17 de janeiro de 1973.

Obs. via wikipedia

18 de julho de 2011

ELOGIE DO JEITO CERTO

Marcos Meier - ( Publicado na revista Galileu -janeiro de 2011)




Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo. Em seguida, foram divididas em dois grupos. O grupo A foi elogiado quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e outros elogios à capacidade de cada criança. O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si. Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência. As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”. As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas.

No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um.

É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado. Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu vídeogame foi muito legal, você é um bom amigo”. Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repetí-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real. Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é, amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente. Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática e especialista na teoria da Mediação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel.

9 de junho de 2011

CIRURGIA de LIPOASPIRAÇÃO? - Rosana Hermann

Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei,
Nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas,

Mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?

Uma coisa é saúde outra é obsessão.

O mundo pirou, enlouqueceu.

Hoje, Deus é a auto-imagem.

Religião é dieta.

Fé, só na estética.

Ritual é malhação.

Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.

Gordura é pecado mortal.

Ruga é contravenção.

Roubar pode, envelhecer não.

Estria é caso de polícia.

Celulite é falta de educação.

Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?

A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.

Imagem, estética, medidas, beleza. Nada mais importa.

Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.

Não importa o outro, o coletivo.

Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.

Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.

Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas…

Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos vinte anos não é natural.

Não é, não pode ser.

Que as pessoas discutam o assunto.

Que alguém acorde.

Que o mundo mude.

Que eu me acalme.

Que o amor sobreviva.


" Cuide bem do seu amor, seja ele quem for "

3 de abril de 2011

Livros - presentes que falam.



Ganhei de presente estes dois livros - A menina que não sabia ler; e O poder de orar pelos filhos adultos. Foi a Carol quem me presenteou ela sabe do meu apego aos livros e do bem que les me fazem.Não fora eles ....Obrigada Carol.
Assim que abri o pacote comecei imediatamente a ler os dois livros concomitantemente, e aí comecei a cansar- me, o segundo livro sobre oração exigia reflexão e interpretação. Fechei-o e decidi ler apenas A menina .... por ser mais ameno e de facil entendimento. Gostei, e e olha só , vi alguns pontos em comum da personagem principal com a menina que um  dia fui. Florence era orfã, eu também. Ela tinha um irmão menor, eu também.Florence amava os livros, eu também. Florence é autodidata , eu tambem. Florence nada sabe de seus pais, eu sabia muito pouco. .Ah, sim, Florence namorou um adolescente alto, magro e desajeitado , eu também.... E por aí param as semelhanças, frequentei a escola normalmente, me formei, casei-me, tive filhos. A vida foi má para Florence, ela sofria de confusão mental, e eu.........
Bom há um ditado que diz que de médico e louco todos nós temos um pouco....
Hoje recomecei a leitura de O poder de orar pelos filhos adultos... depois eu conto sobre o efeito em mim dessa leitura.

29 de março de 2010

Justiça para Isabella.


E fez-se Justiça.

Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos e Anna Jatobá a 26 anos de prisão. Os réus foram condenados por homicidio triplamente qualificado. O resultado do julgamento foi comemorado, pelos populares que se aglomeraram em frente ao Fórum, com gritos , urras e até fogos de artifícios.

Mas, há motivo para comemoração?

Sinceramente, creio que não. Como bem disse a mãe da vitima: amanhã vou acordar e minha filha não vai estar lá, nada a trará de volta. Na verdade a tragédia abateu-se sobre as duas, na verdade três,ou mais, familias. Ana Oliveira perdeu para sempre sua filha, mas é jovem o tempo correrá em seu favor. Ela provavelmente terá outros filhos; Isabella será uma doce lembrança, um sonho, um anjo que passou em sua vida e que marcará indelevelmente a sua vida, de seus familiares, e porque não dizer, de todos os brasileiros.

Quanto aos Nardoni - Alexandre e Anna Jatobá - perderam a liberdade, perderam os filhos, perderão o pátrio poder, não acompanharão seus filhos à escola, as festinhas de aniversários... Alexandre não ensinará a Cauã e Pietro a pedalarem suas primeiras bicicletas. Anna não beijará "os dodóis" de seus pimpolhos, não os auxiliará nas tarefinhas da escola. O tempo correrá em desfavor deles, envelhecerão no presídio. Eles não serão referencias para seus filhos, não poderão ajudá-los na escolha da profissão . E quando os meninos namorarem pela primeira vez será aos avós que eles as apresentarão. Elas, as crianças não terão orgulho da "residência", nem da história de seus pais. Pobres crianças, órfãs de pais vivos.

E os Nardoni, os pais de Alexandre ? Eles perderam a neta predileta. A mãe de Alexandre descobriu que pariu um monstro, um covarde. Ela assim o disse no dia do crime: Monstros, Covardia, Covardia... Não poderia , nem de longe, imaginar que tratava-se de seu próprio filho. O Nardoni pai - avô da vitima - lutou contra todas as evidencias, como ele queria que Alexandre fosse inocente... é tão dificil acreditar que aquele menino (para os pais os filhos serão sempre crianças) tenha cometido ato tão vil. Após o julgamento vê-se um homem alquebrado, derrotado, infeliz, e acho que, principalmente, por não restar mais nenhuma dúvida em sua cabeça paterna que Alexandre é um assassino frio. Ah, se eles pudessem antever, certamente diriam como disse o Salmista: "melhor, teria sido que Alexandre fosse um aborto".
E os pais de Anna Jatobá terão a dificil tarefa de criar, educar os netos, e de explicar o inexplicável.

O defensor do casal acusado Roberto Poodval conclui sua fala citando o medium Chico Xavier:
"Ninguem pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas pode fazer um novo final".
Sem razão , o defensor, nesse caso não se aplica a máxima. O final foi triste para todos, embora a justica tenha sido feita, Isabella não terá festa de quinze anos, não receberá medalhas de natação, nunca mais exibirá seu belo sorriso...Ana Carolina perdeu para sempre sua primogênita.
E os Nardoni perderam, irremediavelmente, entre outras coisas, a dignidade.

14 de janeiro de 2010

Sobre Deus



Alguém disse que gosta das coisas que escrevo, mas não gosta do que penso sobre Deus. Não se aflijam. Nossos pensamentos sobre Deus não fazem a menor diferença. Nós nos afligimos com o que os outros pensam sobre nós. Pois que lhes digo que Deus não dá a mínima. Ele é como uma fonte de água cristalina. Através dos séculos os homens tem sujado essa fonte com seus malcheirosos excrementos intelectuais. Disseram que ele tem uma câmara de torturas chamada inferno onde coloca aqueles que lhe desobedecem, por toda a eternidade, e ri de felicidade contemplando o sofrimento sem remédio dos infelizes.
Disseram que ele tem prazer em ver o sofrimento dos homens, tanto assim que os homens, com medo, fazem as mais absurdas promessas de sofrimento e autoflagelação para obter o seu favor. Disseram que ele se compraz em ouvir repetições sem fim de rezas, como se ele tivesse memória fraca e a reza precisasse ser repetida constantemente para que ele não se esqueça. Em nome de Deus os que se julgavam possuidores das idéias certas fizeram morrer nas fogueiras milhares de pessoas.
Mas a fonte de água cristalina ignora as indignidades que os homens lhe fizeram. Continua a jorrar água cristalina, indiferente àquilo que os homens pensam dela. Você conhece a estória do galo que cantava para fazer nascer o sol? Pois havia um galo que julgava que o sol nascia porque ele cantava. Toda madrugada batia as asas e proclamava para todas as aves do galinheiro: “Vou cantar para fazer o sol nascer”. Ato contínuo subia no poleiro, cantava e ficava esperando. Aí o sol nascia. E ele então, orgulhos, disse: “Eu não disse?”. Aconteceu, entretanto, que num belo dia o galo dormiu demais, perdeu a hora. E quando ele acordou com as risadas das aves, o sol estava brilhando no céu. Foi então que ele aprendeu que o sol nascia de qualquer forma, quer ele cantasse, que não cantasse. A partir desse dia ele começou a dormir em paz, livre da terrível responsabilidade de fazer o sol nascer.
Pois é assim com Deus. Pelo menos é assim que Jesus o descreve. Deus faz o sol nascer sobre maus e bons, e a sua chuva descer sobre justos e injustos. Assim não fiquem aflitos com minhas idéias. Se eu canto não é para fazer nascer o sol. É porque sei que o sol vai nascer independentemente do meu canto. E nem se preocupem com suas idéias . Nossas idéias sobre Deus não fazem a mínima diferença para Ele. Fazem, sim, diferença para nós. Pessoas que tem idéias terríveis sobre Deus não conseguem dormir direito, são mais suscetíveis de ter infartos e são intolerantes. Pessoas que têm idéias mansas sobre Deus dormem melhor, o coração bate tranqüilo e são tolerantes.
Fui ver o mar. Gosto do mar quando a praia está vazia da perturbação humana, Nas tardes, de manhã cedo. A areia lisa, as ondas que quebram sem parar, a espuma, o horizonte sem fim. Que grande mistério é o mar! Que cenários fantásticos estão no seu fundo, longe dos olhos! Para sempre incognoscível! Pense no mar como uma metáfora de Deus. Se tiver dificuldades leia a Cecília Meirales, Mar Absoluto. Faz tempo que, para pensar sobre Deus, eu não leio teólogos; leio os poetas. Pense em Deus como um oceano de vida e bondade que nos cerca. Romain Rolland descrevia seu sentimento religioso como um “sentimento religioso”. Mas o mar, cheio de vida, é incontrolável. Algumas pessoas têm a ilusão que é possível engarrafar Deus. Quem tem Deus engarrafado tem o poder. Como na estória de Aladim e a lâmpada mágica. Nesse Deus eu não acredito. Não tenho respeito por um Deus que se deixa engarrafar. Prefiro o mistério do mar… Algumas pessoas não gostam do que penso sobre Deus porque elas deixam de acreditar que suas garrafas religiosas contenham Deus…

Rubem Alves

3 de dezembro de 2008

Pena de Morte
cidades são a favor da vida
Fonte

Em várias cidades do mundo, no 31 de novembro foi celebrada a Jornada Mundial 'Cidades pela Vida". Promoção da Anistia Internacional, o evento converteu na iluminação de vários edifícios de cidades da Europa com motivos da campanha organizada para reivindicar a erradicação internacional da pena de morte.
A atividade está em desenvolvimento desde o dia 10 de outubro, quando se comemorou o Dia Mundial Contra a Pena de Morte.
É bom que se diga que a 3ª Comissão da Assembléia Geral da ONU aprovou uma resolução em favor da moratória internacional da pena capital e em meados agora deste mês de dezembro deverá ser votada em plenário.
Um total de 105 países votaram a favor da resolução, 48 contra e 31 se abstiveram, o que, segundo a organização, confirma a tendência positiva em favor da abolição da pena capital.


30 de outubro de 2008

Especialista diz que «blogs estão a morrer». Concorda?

«Os blogs estão a morrer, estão ultrapassados». A afirmação, que já está a gerar polémica no meio digital, e não só, é de Paul Boutin, um especialista em Internet, na edição digital da revista Wired. Boutin vai mais longe e dá mesmo um «conselho de amigo»: «Se está a pensar em criar um blog, não o faça. E caso já tenha um, encerre-o».

Para o especialista, o modelo está ultrapassado. «Escrever um blog hoje não é tão boa ideias como era há quatro anos porque a blogosfera se encheu de lixo», diz o especialista, «o que torna muito difícil fazer-se notar». «Só os bloggers profissionais conseguem sobressair», adianta.

Um exemplo desta realidade é o facto de a lista dos 100 blogs mais populares da lista do Technorati (motor de busca de blogs) estar cheia de bloggers e equipas que escrevem por dinheiro, «chegando aos 30 posts por dia».

«Então, para quê dar-se ao trabalho?», questiona Boutin, que recomenda aos bloggers que se expressem no Flickr, Facebook, Twitter ou YouTube. «Vivemos na era multimédia», recorda o especialista, que diz que o modelo dos blogs está «ultrapassado». Além disso, «falta-lhes o aspecto social», que são a essência de formatos como o Twitter, Flickr ou YouTube.

Mas se realmente os blogs estão a morrer, o funeral será complicado, dados que as estatísticas apontam para a existência de mais 77 milhões em toda a web. O próprio Paul Boutin é autor de um... resta saber se o encerrará também.
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PS. Criei esse blog para homenagear minha primeira neta e também para que quando cresça ela entenda melhor o mundo e a época em que nasceu. Talvez o modelo "bloguer " então já esteja obtuso, pensei cá com meus botões, mas talvez surjam condições de modernizar, ou ele venha tenha algum valor exatamente por ser antigo. Extinção? não pensei na hipótese...
Não vou desanimar, vou pagar pra ver.... Vou continuar postando, então Belle, as tuas lembranças já estarão nas memórias de um blog - Belleza Pura!!!!

8 de outubro de 2008

Tia que é tia ....




As irmãs de nossos pais e mães costumam ter uma sabedoria toda particular – uma sabedoria que nasce da concisão. Minha teoria é a seguinte: como passam pouco tempo com os sobrinhos, as tias precisam transmitir rapidamente tudo aquilo que a experiência lhes ensinou. E o fazem através dos ditados, entre um café e um pedaço de bolo.
Agora que sou tio, quero transmitir um pouco desse conhecimento à minha sobrinha Liz, que ainda não sabe ler, mas já está falando mamãe. (Encontrei no Orkut.)
Como sabe toda tia, pardal que anda com morcego acorda de cabeça para baixo. Galinha que acompanha pato morre afogada. E, em terra de sapo, mosca não dá rasante.
Quem mora em submarino não dorme de janela aberta. Para o cara que está se afogando, jacaré é tronco. Por falar em jacaré, em rio que tem piranha, ele nada de costas. Mas deixa estar, jacaré, que a lagoa há de secar!
Tia que é tia não é pipoca, mas vive dando seus pulinhos. Para ela, sempre é melhor pingar do que secar. E quem não concorda está mais por fora que dedão de franciscano.
Quer moleza? Chama o Geléia! Quer mais moleza? Senta no pudim. Comigo não, violão! Se vira, Praxedes! Quem pode, pode; quem não pode, se sacode.
Tia é assim: a cada enxadada, uma minhoca. Tia é melhor que dinheiro achado. Para ela, quem tem filho grande é baleia. E o mesmo vale para sobrinho.
Tia sabe que em briga de saci não tem rasteira; que em casa de pobre arco-íris é preto e branco; e que esperto mesmo é o Curupira – só faz gol de calcanhar.
Se ferradura desse sorte, cavalo não puxava carroça, não é mesmo? Tia sempre tem essas tiradas, que vêm das épocas imemoriais – do tempo em que tamanduá comia formiga de canudinho.
E é favor respeitar a tia. Caso contrário, ela dirá para sua mãe que você é mais grosso que dedo destroncado. Não fique se fazendo de vesgo só para mamar em duas tetas. Você não engana nem o Peixoto.
Se vira, Praxedes! Quer moleza? Chama o Geléia.

Surrupiado de http://briguet.tipos.com.br/
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PS. Hoje Tia Carol presenteou Belle com lindas roupinhas. Belle que só tem dois anos pediu para provar as roupas , se mirou num espelho vertical, sorriu para o espelho e só depois abraçou ternamente a tia...

Semana passada Belle ganhou uma bolsa com os objetos que normalmente se encontram em bolsas femininas: baton, escova de cabelos, chave de carro, celular, pulseiras, brincos, aneis. Quem presenteou? Tia Carol. Desde então Belle não solta a bolsa, quando acorda já vai falando : minhas coisas, quelo minhas coisas...

Ontem Belle falou com Tia Carol pelo telefone: "Calol tazer dinhelo, meu cofinho. Compár biciqueta cor de losa. É sélio."

Durma com esse barulho....

18 de setembro de 2008

Eu amo tulipas

Muita gente pensa que as tulipas são originárias da Holanda, eu também pensava, tamanha a associação existente entre elas e este país. Entretanto, as tulipas, na verdade, são turcas e foram levadas para a Holanda por volta de 1560, depois que o botânico Conrad von Gesner as catalogou em 1559, usando bulbos originais coletados em Constantinopla, atual Istambul.
O nome da flor foi inspirado na palavra "tulipan" que significa "turbante" (o formato da tulipa lembra mesmo um turbante).


Como muitas flores, as cores diferentes das tulipas também carregam frequentemente seu próprio significado: tulipas vermelhas são fortemente associadas com amor verdadeiro, roxo simboliza o luxo, amarelas prosperidade, brancas são usadas reivindicar valores ou emitir uma mensagem de perdão, as tulipas coloridas, devido as vastíssimas variedades de cores, representam “olhos bonitos"

Ambientes decorados com tulipas revelam bom gosto, distinção, sofistificação.

PS. Obrigada Adilza pela imagem

5 de junho de 2008

"Competência e sensibilidade solidária – educar para a esperança"



Esperança só é esperança quando não se funda em certezas. Quando há bases seguras, "científicas", para as nossas projecções desejantes, temos otimismo. Esperança é quando nós esperamos apesar das nossas incertezas, apesar das actuais condições humanas e sociais que não nos dão garantia da possibilidade de realização dos nossos desejos. Alguém é optimista por causa de, enquanto que nós temos esperança apesar de.»

Hugo Assman e Jung Mo Sung, "Competência e sensibilidade solidária – educar para a esperança"

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Essencialíssima é a menção feita a Gandhi, sobre saber viver e conviver. Seu neto Arun Gandhi conta: "Para Gandhi quem não sabe conviver também nunca saberá qual é a sua própria filosofia da vida. Contou-me várias vezes a história de um colega, brilhante nos estudos, sempre com as notas mais altas. Passou em tudo com distinção, arranjou logo um bom emprego. Só que nunca achou tempo para aprender a viver. Não soube conviver com sua mulher, nem com seus filhos, nem com ninguém. Acabou amargurado e na miséria. Saber viver e conviver - dizia ele - é o que mais se precisa aprender".
Compreender que só saberemos quem somos se tivermos sido amados. Envolver a análise da dimensão profunda dos nossos desejos. Tudo é tão essencial, que se torna impossível, perigoso e até inconveniente dizer onde está o principal horizonte indicado. A proposta iluminada é, sem dúvida, educar para a esperança.

30 de março de 2008

Menor Perverso

Lendo essa crônica de Olavo percebemos que não há nada de novo sobre a violencia, mesmo aquela praticada por menor e que tem alvo tambem um menor; vem rapidamente a minha mente outros casos: João Helio, Liane Café. As imagens das vítimas da violência praticadas por menores estão gravadas em nossas mentes. O final melancólico da cronica nos leva a pensar: melhoramos, evoluimos no tratamentos dos pequenos infratores?
O perfil do menor delinqüente do século XXI não é o mesmo do menor delinqüente do século XX. Hoje, a realidade social é bem outra e sua própria evolução nos traz necessidades, exigências e situações novas.O estatuto do Menor e do Adolescente deve ser revisto e o regime de reclusão dos menores tem que oferecer melhores perspectivas para estes menores. Bilac diz que os internos da Escola de Correição estavam arriscados a ficarem piores. Qualquer semelhança com as FEBEMs não é mera coincidencia....

"Nesse pequeno infeliz, que os jornais consideram um grande criminoso, há um homem que se vai perder, por nossa culpa, - porque não lhe podemos dar o tratamento que a sua enfermidade requer..." Olvo Bilac
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Criança de três anos assassinada por outra de dez, em condições que ainda não foram bem tiradas a limpo. Diz-se que o "menor perverso" ensopou em espírito de vinho as roupas da vítima e ateou-lhes fogo. Propositalmente? parece impossível... Mas nada é impossível na vida.
O fato é que, consumado o seu ato de perversidade (ou de imprudência?) o pequeno fugiu, e andou vagando pelas ruas, até que, já tarde, exausto, banhado em lágrimas, foi encontrado na praça da República e conduzido para uma delegacia policial. E os jornais, terminando a narração do caso triste, pedem quase todos, em quase unânime acordo de idéia e de expressão, que "se castigue esse precoce facínora, cujos instintos precisam ser refreados".
Que se castigue, como? Metendo-o na Correção? mandando-o para o Acre? fuzilando-o?
A ocasião é oportuna para mais uma vez se verificar quanto estamos mal aparelhados para atender às múltiplas necessidades da assistência social. Um criminoso de dez anos não é positivamente um criminoso... Se é verdade que esse menino conscientemente praticou a maldade de que é acusado, o nosso dever não é castigá-lo: é salvá-lo de si mesmo, dos seus maus instintos, das suas tendências para o exercício do mal. Como? naturalmente, dando-lhe uma educação especial, uma certa disciplina de espírito. Mas onde? É aqui que surge a dificuldade, e é aqui que somos forçados a reconhecer que, se estamos muito adiantados em matéria de politicagem e parolagem, ainda estamos atrasadíssimos em matéria de verdadeira civilização...
Já sei que há por aí uma Escola Correcional. Mas, ainda há pouco tempo, o que se soube da vida íntima dessa escola serviu apenas para mostrar que, lá dentro, os pequenos maus, pelo vício da organização do estabelecimento, estão arriscados a ficar cada vez piores. Tudo quanto se refere à assistência pública ainda está por fazer no Brasil: asilos, escolas correcionais, penitenciárias, presídios, não têm fiscalização efetiva. Só pensamos nessas casas de beneficência ou de correção, quando um escândalo, dos que há dentro delas, faz explosão cá fora, comovendo-nos ou indignando-nos. Então, há uma grita convulsa, um grande espalhafato, um grande dispêndio de artigos pelas folhas e de atividade pela polícia; mas, logo depois, tudo volta ao mesmo estado... à espera de novo escândalo.
Tive muita pena da pobre criança de três anos, morta no meio de horríveis torturas. Mas tenho também muita pena dessa outra criança, que uma brincadeira funesta (ou uma inconsciente moléstia moral, perfeitamente curável) levou à prática de um ato tão cruel. Nesse pequeno infeliz, que os jornais consideram um grande criminoso, há um homem que se vai perder, por nossa culpa, - porque não lhe podemos dar o tratamento que a sua enfermidade requer...

Texto extraído do livro: Obra reunida. Olavo Bilac. Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997. p. 737-738.