
6 de abril de 2008
LENTO MAIS VEM - Mario Benedetti (1920- )

Lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar
mas vem
hoje está mais além
das nuvens que escolhe
e mais além do trovão
e da terra firme
demorando-se vem
qual flor desconfiada
que vigia ao sol
sem perguntar-lhe nada
iluminando vem
as últimas janelas
lento mas vem
O futuro se aproxima
devagar
mas vem
já se vai aproximando
nunca tem pressa
vem com projetos
e sacos de sementes
com anjos maltratados
e fiéis andorinhas
devagar mas vem
sem fazer muito ruído
cuidando sobretudo
os sonhos proibidosas
recordações dormidas
e as recém-nascidas
lento mas vem
o futuro se aproxima
devagar mas vem
já quase está chegando
com sua melhor notícia
com punhos com olheiras
com noites e com dias
com uma estrela pobre
sem nome ainda
lento mas vem
o futuro real
o mesmo que inventamos nos mesmos
e o acaso
cada vez mais nós mesmos
e menos o acaso
lento mas vem
o futuro
se aproxima
devagar
mas vem
lento mas vem
lento mas vem
lento mas vem
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Poetas e Poesia ao redor do Mundo
5 de abril de 2008
Ah, Ah, eu tô rindo à toa....
É melhor ser alegre que ser triste,
Alegria é a melhor coisa que existe.É assim como a luz no coração.
Vinicius de Moraes, o poetinha
Vinicius de Moraes, o poetinha
."Carlos Drummond de Andrade, autêntico e infeliz.


"A única coisa sem mistério é a felicidade, porque se justifica em si mesma.
"Jorge Luis Borges, o triste.

“A gargalhada é o sol que varre o inverno do rosto dos homens.”
Victor Hugo, o gênio risível.

"A única coisa sem mistério é a felicidade, porque se justifica em si mesma.
"Jorge Luis Borges, o triste.

"O silêncio é o mensageiro mais eloqüente da alegria.
"William Shakespeare, o discreto.
"Há só uma felicidade nesta vida, amar e ser amado.
(George Sand)
4 de abril de 2008
O mundo é grande - Drummond

O mundo é grande
e cabe nesta janela
sobre o mar.
O mar é grande
e cabe na cama
e no colchão de amar.
O amor é grande
e cabe no breve espaço de beijar.
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Poesia - autor(a) brasileiro (a)
3 de abril de 2008
Jeitos de Amar by Adélia Prado
Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era danada de braba, mas esmerava-se
na hora de fazer dois molhos de cachinhos no cabelo da filha,
para que ela fosse bonita pra escola.
"Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor"
É comovente porque é algo que a gente esquece:
milhões de pequenos gestos são maneiras de amar
Beijos e abraços são provas mais eloqüentes,e
xigem retribuição física, são facilidades do corpo.
Porém há diversos outras demonstrações mais sutis.
Mexer no cabelo, pentear os cabelos,
tal como aquela mãe e aquela filha,
tal como namorados fazem,
tal como tanta gente faz: cafunés.
Amigas colorindo o cabelo da outra,
cortando franjas, puxando rabos de cavalo,rindo soltas.
Quanto jeito que há de amar.
Flores colhidas na calçada,
flores compradas, flores feitas de papel, desenhadas,
entregues em datas nada especiais: "lembrei de você".
É este o único e melhor motivo para azaléias,margaridas, violetinhas.
Quanto jeito que há de amar.
Um telefonema pra saber da saúde,
uma oferta decarona, um elogio, um livro emprestado,,
uma cartarespondida, uma mensagem pelo celular,
repartir o que se tem, cuidados para não magoar,
dizer averdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com carinho,
se for para evitar feridas e dores desnecessárias.
Quanto jeito que há de amar.
Uma foto mantida ao alcance dos olhos,
uma lembrança bem guardada,
fazer o prato predileto de alguém ebotar uma mesa bonita,
levar o cachorro pra passear, chamar pra ver a lua,
dar banho emquem não consegue fazê-lo só,
ouvir os velhos, ouvir as crianças,
ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir.
Quanto jeito que há de amar.
Orar por alguém,
vestir roupa nova pra homenagear,
trocar curativos, tirar pra dançar,
não espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir,
visitar doentes, velar, sugerir cidades, filmes, cds,brinquedos, brincar...
Quanto jeito que há.
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Poesia - autor(a) brasileiro (a)
2 de abril de 2008
Ausencia
"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência,
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim".
(Carlos Drummond de Andrade)
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1 de abril de 2008
Avó
Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.

Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem "Despacha-te!".
Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possivel por ter uma Avó, sobretudo se não tiver televisão!
"(Texto escrito por uma menina de 8 anos, publicado no Jornal do Cartaxo).
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Achei o texto tão terno que não resisti, publiquei-o.
Eu tenho uma unica neta de dois anos,(vide fotos) se ela falasse, que diria de mim?
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Textos HUMORISTICOS
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